Tenho uma amiga que quer melhorar o inglês atráves de um intercâmbio e ela fez uma pergunta crucial que todas que estão ou estiveram no programa já fizeram em algum momento:
Você acha que vale a pena ser au pair?
Eu comecei a respondê-la pelo o orkut e vi que a resposta era complexa e que eu precisaria de mais linhas do que um scrap me permitiria e além disso a pergunta dela é a dúvida de centenas, arriscaria até dizer milhares de meninas que pensam em entrar nesse programa, então resolvi colocar o meu ponto de vista após 21 meses vivendo essa experiência.
Tempo de duração do programa
Estou no meu segundo ano como au pair, o contrato é de no mínimo 12 meses e você poderá extender por mais 6, 9 ou 12 meses com a mesma ou com uma outra família. Essa é minha terceira família e uma dica que um amigo meu no Brasil me deu e vou compartilhar com vocês é: se não deu certo com a família mude e claro que você terá que ter argumentos para a mudança e não simplesmente que a criança é mimada (todas são), mas se a convivência é intolerável, mude! Acreditem, o rematch sempre será para melhor.
Requisitos para o programa
Se você tem entre 18 e 26 anos, tem inglês intermediário, tem experiência com crianças, ensino médio completo e uma carteira de habilitação (que pode ser provisória) e quer viver uma experiência internacional (leia-se: fugir de casa, do namorado ou ex, do seu trabalho ou do curso de inglês que você está matriculada dede os 14 anos, ou simplesmente virar gente grande), o programa de Au Pair é a maneira mais fácil, barata e de maior duração que qualquer outro intercâmbio que as agências terão para lhe oferecer.
Como é o dia a dia
Lendo assim parece que é simples, mas antes de decidir se esse é o programa ideal, é preciso ter muito claro em sua mente o que as agências não falam e só quem já viveu a experiência pode dizer. Você viverá na casa de desconhecidos, o programa não é de estudo e trabalho e sim de TRABALHO (muito trabalho - 45 horas por semana) e estudo (normalmente quatro horas). Você do outro lado está pensando, ahhhhh 45 horas é fichinha, hoje eu trabalho 40 horas semanais então 45 eu tirarei de letra (foi o que eu pensava quando estava no Brasil) até chegar aqui e trabalhar de segunda a sabado das 9h da manhã as 9h da noite com uma pausa de duas ou três horas no decorrer do dia e o sabado trabalhar mais umas quatro ou cinco horas, com crianças mimada, que mandam e desmandam no querem comer, ouvir, brincar e até mesmo na cor do prato e copo que usarão no almoço. Por sorte em nenhuma das famílias que eu passei tive que trabalhar aos domingos, mas isso pode e acontece de mooooonte, pais que não querem ficar com os filhos e fazem conta de minutos para a au pair ficar o maior tempo com eles. A última que eu ouvi de uma amiga minha foi que ela teria que trabalhar no domingo do dias das mães porque a suposta "mãe" queria tirar o dia de folga para descansar ao invés de ficar com as crianças, vê se pode? O detalhe é, nem trabalhar fora a mãe trabalha, vai entender.
Quanto tempo que se trabalha por semana?
A regra em relação a carga horária é simples (mas muitas vezes não respeitada) 45 horas por semana que poderá ser da maneira que a host family bem quiser, mas a au pair tem direito de pelo menos um fim de semana off por mês, isso quer dizer que a au pair poderá trabalhar todos os domingos, mas uma vezes por mês ela terá que ter uma folga que começa na sexta a noite e termina no domingo. Pelas regras do programa a au pair não pode trabalhar mais de 10 horas por dia e advinhem? Vira e mexe essa regra não é respeitada.
Curfew
A minha agência (AuPairCare) prega que toda au pair tem que estar em casa com pelo menos oito horas antes do início do trabalho do próximo dia. Tem algumas famílias que utilizam essa regra ou impõe as suas próprias, por exemplo durante a semana se você sair você terá que voltar até as 11h da noite e acreditem se quiser já vi famílias colocando curfew até para o fim de semana de 2h da manhã em casa. Esse ponto é crucial na escolha da família, porque mesmo que você não saia no Brasil quando você chegar aqui você vai querer sair, conhecer pessoas, praticar seu inglês com um vocabulário que seja diferente de fralda, chupeta, escola, lição de casa e por ai vai, ou porque simplesmente você não aguentará passar um ano trancada no seu quarto.
O que foi mais difícil no começo
Coisas simples como abrir a geladeira pra pegar alguma coisa e você não saber se pode ou não comer até a complexidade de me acostumar que eu morava e trabalhava no mesmo lugar. Acordar, trabalhar, terminar o "expediente" e não "sair" do trabalho, e sim apenas mudar de "departamento" (meu quarto) foi bem difícil. É claro que em algum momento você terá que sair do seu "departamento" e advinha o que você ouve? O seu "trabalho" te chamando para brincar ou assistir um filme que acabou de começar e nessa hora você não pode ignorar a criança ou dizer que está off, com jogo de cintura (muito) você da atenção e tenta fugir o mais rápido daquela área perigosa que lhe persegue no seu suposto momento de descanso e é claro que não é incomum o "trabalho" bater em sua porta (literalmente).
Ser au pair é fazer parte da família
A atitude que você terá para lidar com esse tipo de situações serão analisadas pelos pais, afinal o que as agência nos dizem que seremos tratadas como um membro da família, uma irmã mais velha das crianças. Advinhem, mais uma inverdade, mas isso não é tão ruim como parece ser, porque ser da família da muito trabalho, se tiver que escolher entre sair com seus amigos, ficar no seu quarto na internet, estudando, ou simplesmente sem fazer nada ou como um membro da familia participar de jantares num domingo a noite ou fazer uns programas de índio (que sempre aparecem no seu momento de folga) o que você escolherá? Se for membro da família você não terá muita escolha, por isso prefiro ser a menina que cuida das crianças e ponto acabou.
Carro
Essa parte eu posso falar com propriedade, pois já vivi os dois lados da moeda em cidades pequenas que não se fazia nada sem carro e já morei na capital de um estado com uma excelente cobertura de transporte público.
E quer saber minha opinião? Carro é bom e eu gosto!!! Claro que morando no centro de Boston até para as baladas eu ia a pé só atravessando o parque, maaaaaas qualquer outro lugar que eu quisesse ir eu até chegava com transporte público mas e pra voltar??? Tem que ter carro não adianta, e se você tiver a sorte de ter um de uso exclusivo você estará no céu. Ter carro compartilhado com os hosts até que vai, mas saiba que você terá que pedir permissão para usar o carro, falar onde você vai, que horas volta, se dormirá fora (opaaaa essa família não deixa você dormir fora com o carro, sorry, mas você terá que voltar).
Saindo da casa dos meus pais terei a tão sonhada liberdade
Dizer que vem pra cá como au pair e você terá liberdade é uma ilusão, talvez a melhor expressão seja liberdade condicional. Você engole muito sapo, quer saber porque? Pois não é a sua casa, porque eles não são os seus pais, porque as crianças não são seus irmãos, você é uma funcionária da casa que tem como privilégio moradia, alimentação, celular, com sorte um carro e uma bolsa de estudo que não cobre as despesas dos seis créditos que obrigatoriamente você terá que cumprir para ficar o segundo ano ou para garantir a sua passagem de volta após o término do contrato.
Comunicação
É a chave do negócio e o motivo para você ser feliz ou infeliz nessa sua experiência, entenda quais são as regras da casa, e respeite-as, caso você não concorde com algo tente negociar, mas é importante lembrar que o combinado não sai caro, se quando você ainda estava no processo de escolha de família eles disseram que você trabalharia todos os domingos e teria que estar em casa durante a semana as 11h da noite e você aceitou não pense que qunado você chegar aqui as coisas mudarão, os americanos não tem o nosso jeitinho brasileiro, é 8 ou 80.
Realizações
Morar fora, conhecer pessoas de diversas nacionalidade, melhorar o inglês e ter oportunidade de trabalhar em qualquer parte do mundo, comprar eletrônicos que você sempre quis e nunca poderia comprar no Brasil, fazer a viagem dos seus sonhos para Europa, India ou seja lá onde for, comprar roupas, relógios, óculos, perfumes de marcas,correr o risco de um americano se apaixonar por você e querer casar para lhe dar o green card, não importa qual é o seu objetivo, mas afirmo que muitooooo provavelmente você atingirá, claro que você não conseguirá fazer tudo o que eu citei, porque você ganhará pouco em relação a todos por aqui ($ 200 por semana) e casar com um americano envolve sentimento (ou um louco que aceite se casar por $ 10mil), mas se você souber focar no seu objetivo você realizará diversos sonhos. Como diz uma grande amiga, aqui é a Terra das Oportunidades.
Vale a pena?
Se você não tem dinheiro para vir apenas estudar pagando cerca de três mil reais por mês, se o seu inglês não é suficiente bom para vir para um programa apenas de trabalho e se você acha que aguenta isso que eu escrevi e um pouco mais... Vale a pena SIM.
Se eu faria de novo?
Na próxima encarnação, au pair tem vida e paciência curta e a minha gestão dessa encarnação já está chegando ao fim, rsrsrs.
4 comentários:
linda linda linda vc!!
Que saudade!
Amo te!
Concordo e assino embaixo!
Olá, estou buscando informações sobre o progra,]ma. Estou pensando seriamente em ir,mas tb avaliando muito. Seu relato está ajudando nesse processo de escolha.
Muito obrigada!
Lusi,
Fico feliz que minha experiência está lhe ajudando. Boa sorte!!!
Bjs
Postar um comentário